Isabel Pires
Choveu sangue das tetas de Deus
ao som de um stradivarius
desafinado
choveu pétalas de rosas que se tornaram tarântulas
e derramaram tênue veneno sobre as santas nuas
do místico circo.
Choveu estrela devida
e indevida
choveu – a tarde inteira –
virtuosas cascatas
vermelhas
fogueiras afrodisíacas que se desmanchavam a um sopro
leve.
Choveu pequenos mártires alados
equipados com sangue róseo
e doce.