Isabel Pires
Há
vários tipos de mãos:
mãos
bonitas
mãos
delicadas
mãos
grosseiras
calejadas.
Mãos
generosas
que
se abrem
oferecendo
palmas
cortadas
de destino,
de
vida e de morte.
Mãos
mesquinhas,
cerradas
em
punhos sovinas.
Mãos
nervosas,
agitando-se
ao
menor estímulo
de
vida.
Mãos
trêmulas,
mãos
frias.
Mãos
grandes e morenas.
Mãos
brancas e pequenas.
Mãos.
Mãos. Muitas mãos.
Há mãos
impacientes,
peludas,
quentes.
Mãos
inocentes.
Mãos
inertes, patéticas.
Mãos
incoerentes.
Mãos
de espera,
estendidas,
abertas.
Mãos
austeras,
severas.
Mãos
bobas, inúteis.
Mãos
fúteis,
se
alongando
em
unhas cuidadosamente
domesticadas,
geralmente
compridas e pintadas.
Mãos
entediadas
vazias
ou
cheias de nada.
Mãos
humildes, mansas,
descansadas.
Mãos
cheias de esperança
(mãos
de criança).
Mãos
cansadas,
desesperançadas.
Mãos
desesperadas.
Mãos
rudes.
Mãos
estúpidas.
Mãos
mudas.
Mãos
nuas.
Mãos
simples.
Mãos
complicadas,
cheias
de ouro e de prata.
Mãos
dramáticas.
Mãos
simpáticas,
se
agitando num adeus.
Mãos
idólatras,
adorando
um deus.
Mãos.
Mãos. Muitas mãos.
Mãos
ocupadas.
Mãos
veladas.
Mãos
ousadas.
Mãos
desafiadoras, de briga,
que
lutam pela vida,
e
onde pulam veias
que
latejam cheias
de
um líquido vermelho,
denso,
que chamam de sangue.
Mãos
arrogantes.
Mãos
elegantes.
Mãos.
Mãos. Muitas mãos.
Mãos
culpadas,
pesadas,
difíceis
de carregar.
Mãos
suadas,
que
carregam velhos medos.
Mãos
suaves, sem receios.
Mãos
cheias de meneios.
Mãos
insensatas,
mãos
agitadas.
Mãos
carinhosas.
Mãos
caridosas.
Mãos
amigas, tão antigas.
Mãos
leves, finas
e
ladinas.
Mãos
difíceis
de
alcançar.
Mãos
insuportáveis
de
segurar.
Mãos
preguiçosas.
Mãos
nojentas,
pegajosas,
molengas.
Mãos.
Mãos. Muitas mãos.
Mas
as melhores delas,
as
melhores mãos,
são aquelas. Aquelas…
as mãos humanas.