terça-feira, 24 de setembro de 2024

Dez modos instantâneos de tratar um poema

Isabel Pires

 

Modo Manoel de Barros: “Tem que pegar cada palavra e espremer até que delas escorra um líquido escuro e gosmento, a jeito de passarinho.” 

Modo João Cabral: “Passa a lâmina. Se preferir, a palo seco.” 

Modo Drummond: “Basta pendurar na parede. Mas como dói!” 

Modo Francisco Alvim: “Pra quê?! Mas se todos fazem …” 

Modo Ferreira Goulart: “Quanto mais sujo melhor.” 

Modo Fernando Pessoa: “Preciso da opinião dos outros quatro.” 

Modo Cacaso: “De dia, como patrão. De noite, como amante.” 

Modo Ana Cristina César: “Olhando muito tempo o corpo do poema.” 

Modo Adélia Prado: “Escamando, abrindo, retalhando e salgando.” 

Modo Manoel Bandeira: “ Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.” 


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