domingo, 19 de março de 2023

À sombra do apocalipse

Isabel Pires


Choveu sangue das tetas de Deus

ao som de um stradivarius

desafinado

choveu pétalas de rosas que se tornaram tarântulas

e derramaram tênue veneno sobre as santas nuas

do místico circo.

 

Choveu  estrela devida

              e indevida

choveu – a tarde inteira –

virtuosas cascatas

vermelhas

fogueiras afrodisíacas que se desmanchavam a um sopro

leve.

 

Choveu pequenos mártires alados

equipados com sangue róseo

e doce.


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