sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Abaporu sentado ao sol do novo mundo

 Isabel Pires

Abaporu nasceu

seu berço não era esplêndido

Abaporu cresceu

iluminado ao sol de um mundo estranho

Abaporu aprendeu

numa língua sem latim

e de português foi o pouco

dos que Abaporu provou

Abaporu devorou

sem lei sem rei sem pecado

Abaporu gigante não pensa não sofre

ele canta dança cansa

e apenas se senta e ri e cochila e dorme.

Depois, Abaporu morre.





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