Isabel Pires
Abaporu nasceu
seu berço não era esplêndido
Abaporu cresceu
iluminado ao sol de um mundo
estranho
Abaporu aprendeu
numa língua sem latim
e de português foi o pouco
dos que Abaporu provou
Abaporu devorou
sem lei sem rei sem pecado
Abaporu gigante não pensa não
sofre
ele canta dança cansa
e apenas se senta e ri e cochila
e dorme.
Depois, Abaporu morre.
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