Isabel Pires
Atrás de todo crepúsculo se esconde uma noite
às vezes fria, às vezes quente
às vezes nua, às vezes vestida de gente.
Desceu a noite como uma pesada cortina
que, contudo, descortinava um cenário de limites
perdidos e fundidos em trevas. O negror,
onipresente, refugiava-se nos cantos, sem ângulos,
infindos.
A noite se enrodilhou, muito quieta e
silenciosa, no bojo da Treva. E ali, ficou, muda,
imóvel, até que veio a Alvorada e
a espantou com o alarido da Luz.
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