Isabel
Pires
Diz a noite que chegou pra perdoar
o dia
e ainda trouxe consigo uma lua
cheia.
Noite de negro inda querendo ser
faceira
num baile que não tinha nenhuma
alegria.
Noite de telhado onde reina a
gataria
assustando a noite medrosa que se
encolhia
debaixo do piscar de infinitas
estrelas
que, serenas, participavam da
falseta.
E a lua, trêmula, iluminando a
sarjeta
dos bêbados babados que esperavam o
dia
indiferentes à baba e à própria
sujeira.
Se a noite reconhecesse – que bom
seria –
que não tem brilho, é apenas uma noite feia
e falsa e só. Apenas uma noite fria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário