Isabel Pires
Façam tudo.
Façam guerra,
façam amor.
Façam da vida uma merda,
um penico de cocô.
Façam tudo.
Matem.
Depois, ponham luto.
Joguem a vida como um brinquedo,
um jogo de ludo.
Sim, façam tudo.
Destrocem as mentes
e os ventres.
Arrasem a cidades.
Amordacem a felicidade.
Façam da vida uma ameaça.
Façam pirraça,
trapaça.
Comemorem com cachaça.
Sim, façam tudo.
Até o absurdo
de ver a vida em volta:
como ela é bonita
e complicada.
Façam tudo. Ou, quem sabe,
não façam nada.
Façam. Não façam.
Deixem por fazer - até o amor.
Mas, com licença:
façam tudo - mas façam o favor.
Não pisem na grama.
Não maltratem as crianças
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