sábado, 9 de agosto de 2025

Beira de asfalto

 Isabel Pires

 

Uma flor nasceu no meio da rua.

O asfalto cedeu, para deixá-la apontar

sobre a nesga de terra arenosa.

Não era uma flor sem graça,

dessas que brotam à beira do asfalto,

cor da fuligem do óleo diesel das máquinas.

Era uma rosa,

repolhuda e vermelha.

Os carros reduziam a velocidade,

faziam fila

e passavam ao largo,

embora ela estivesse bem no meio da rua.

Foi preciso chamar os bombeiros.

Eles vieram, cercaram a rosa

com uma pequena cerca de dez centímetros de altura.

Na frente da flor

colocaram um cartaz:

CUIDADO

HÁ UMA ROSA NA ESTRADA

 

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