Isabel Pires
Uma flor nasceu no meio da rua.
O asfalto cedeu, para deixá-la apontar
sobre a nesga de terra arenosa.
Não era uma flor sem graça,
dessas que brotam à beira do asfalto,
cor da fuligem do óleo diesel das máquinas.
Era uma rosa,
repolhuda e vermelha.
Os carros reduziam a velocidade,
faziam fila
e passavam ao largo,
embora ela estivesse bem no meio da rua.
Foi preciso chamar os bombeiros.
Eles vieram, cercaram a rosa
com uma pequena cerca de dez centímetros de altura.
Na frente da flor
colocaram um cartaz:
CUIDADO
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