Isabel Pires
Com
essa forma etérea
de
que poucos são dotados
ainda
que de carne e osso
mas
tão transparente
que
te podem ver a alma
e
desvendar-te os segredos.
Com
essa forma assim diluída,
espalhada
pelos cantos da casa
essa
forma mansa de pisar
de
tocar os objetos
as
coisas as pessoas:
energicamente.
Com
essa forma derramada
de olhar
rasgadamente
através
das carnes, das mentes, das intenções.
Sem
disfarces.
Como
uma criança olha uma ferida aberta
e
uma flor se abrindo
da
mesma forma – sem receios.
Com
essa forma vaga, difusa, sensitiva
que
já pressente tudo ao redor.
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